Música e letra

Quando Uma Lágrima Se Fez Espelho Na Alma

Por Marcelo Oliveira, do álbum No Passo do Tempo.

2006
Versão completa
Letra

Quando Uma Lágrima Se Fez Espelho Na Alma

Uma lágrima encheu os rios da face Do bisavô, ao visitar o seu passado Entre lembranças dissipadas pelo tempo Iguais retratos que envelhecem, desbotados E na cacimba de água clara das retinas Se refletiu aquele tempo que se foi Do povo índio defendendo a sua terra Até os tropeiros das canções do êra boi Falou de escravos derramando suor e sangue Cercas, mangueiras, levantando em pedras mouras De mãos rurais antes de lanças e garruchas Pelos galpões, firmando o pulso nas tesouras Cordas sovadas pelas mãos de homens campeiros Cimbrando golpes no sustento dos rituais As nazarenas nos garrões dos domadores E as boleadeiras em mundéus para os baguais E através do espelho da alma pude ver Que o ancestral e o campo sentem a mesma dor Feito uma tropa que se vai, gastando léguas Sem nem saber o que há no fim do corredor Mirando largo o horizonte dos meus olhos Sentiu o campo, maltratado em sua essência Falsos herdeiros reclamando a velha terra Sem nem notícias das origens ou querência E viu que os homens continuam sendo escravos Que há fios de arame no lugar de pedras mouras Que mãos ociosas erguem foices e bandeiras Enquanto isso, enferrujam-se as tesouras Viu os arreios encilhando cavaletes Sovéus e laços sem espaço pra os pealos Que, sem garrões, as nazarenas silenciaram E as boleadeiras se esqueceram dos cavalos E, através do espelho d'alma, pode ver Que a tropa anda e mais comprido é o corredor E que o campo, embora guapo, se ressente E, sem querer, segue sofrendo a mesma dor