Música e letra

Brisa de Liberdade

Por Pedro Ortaça, do álbum Timbre de Galo.

1989
Versão completa
Letra

Brisa de Liberdade

Cantado: Eu sempre fui meio arisco, cosquilhoso e caborteiro No amor meio matreiro, não compro gato por lebre Para o diabo que carregue crendices e assombrações Não me troco por barões, sou dono do meu cantar E por xucro no linguajar das rimas eu tiro um naco E as vezes se não ataco também não deixo cruzar. Falado: Ninguém sufoca o tufão, ninguém ataca tormenta Tanto puxa que rebenta, o julgo totalitário Vai acabar o calvário, antevejo no horizonte Nova consciência em reponte, oprimido vão se erguendo E o poder vai compreendendo que esgotou a água da fonte Cantado: O amanhã de ontem é o hoje, portanto é aqui e agora Diremos que esta na hora de produtor ser povoeiro Lado a lado de parceiro defender esta querência Já perdemos a paciência, vamos arregaçara s mangas Já chega de puxar canga pra carregar o que é alheio Precisamos por um freio e parar de pedir changa. Falado: Amante da liberdade, não sou de andar embretado; Não nasci pra ser mandando, nem pra cantar ilusões Que fiquem os maus patrão com seus gestos mal havidos; Prefiro rumos perdidos dos desertados da sorte Peleando de encontro a morte e eternamente esquecido Cantado: Se outros cantam proezas e belezes das cidades Eu recorro a realidade que hoje vive o meu irmão Sem um palmo de torrão a não ser quando é enterrado É ele peão desgarrado nativo por ter tanto dono É o campeiro e o colono que a própria lei da o relato Seivas da terra de fato hoje pobre sem entonos Falado: Talvez mude o meu cantar quando se for a tristeza Quando encontrar pão na mesa dos humildes e explorados Quando sacrificados tenham seu lugar ao sol E vejam no seu paiol fartura e dignidade E ampliam-se a sociedade com o raiar de um novo dia Quando a justiça der cria do ventre da liberdade.