Música e letra

Era Assim Naquele Tempo...

Por Cesar Oliveira e Rogério Melo, do álbum Era Assim Naquele Tempo.

2012
Versão completa
Letra

Era Assim Naquele Tempo...

Era assim naquele tempo... Dos baile véio de rancho Se achegava um de carancho tendo a d´alva de sinuelo O bochincho tava visto no semblante do paisano E no trinta e oito orelhano engasgado de caramelo. Era assim naquele tempo... No universo das três vendas Se um taura virasse renda, outro cambeava de pátria Se acaso pelassem a guaxa de um cristiano no uruguai Quedava um hijo sin padre velado a choro de gaita. Pra lá do upamaroty, bem antes do Vacaiquá Entre Santana e Rivera, que em Dom Pedrito se encosta Quem bolinava com a sorte da Villa Indarte pra cá Pedia pra se topá com um tropeada sem volta. Quando um insulto assoprava no movimento da noite Um facão fazia açoite relampejando no apuro Um pala no braço esquerdo escorador de puaço Cadenciava o contrapasso que se bailava no escuro. E a vida assim se perdia por nada ou por muito pouco Um desacerto nos troco, um retruco em riba de um às Alguma penca de potro, por supuesto mal julgada Ou uma irmã desonrada... E aí já era demás. Uns iam por calaveras, outros iam por covardes E às vezes, cheio de alarde, o finado era um valente Era assim naquele tempo... E a justiça que imperava Era a honra e a palavra, lei maior daquela gente. As cruzes que serpenteiam nos entremeios da linha São saudades que agonizam no fio afiado do vento Ficaram ali demarcando a história que se assinala Quando o destino embuçala... Lembrança, razão e tempo.