Música e letra

Pêlos / Carreta / Canto Alegretense

Por Os Serranos, do álbum Os Serranos, Ao Vivo na Expointer.

2007
Versão completa
Letra

Pêlos / Carreta / Canto Alegretense

Reculutando a potrada Por as varas da mangueira No bate patas do campo Só ficam vultos e poeira (são gritos de bamo cavalo Toca, toca, êra, êra) Entre potros que amansei que sentei meu lombilho Foram baios e ruanos sebrunos e doradilhos Já quebrei muitos tobianos alazão preto e tordilho De vinagre até o negro todos pêlos eu encilho Gateados e lobunos zainos também domei Um rosilhito prateado em malacaras andei Arrocinei um bragado um oveiro negro um rosado Um chita um branco melado E um picaço pata branca que por sinal desconfiado Especial baio gateado que nunca deixou-me a pé Um tostado bico branco tropeei muito em pangaré Um colorado cabano um azulejo mui feio Que as vezes em volta do rancho deixava mascando o freio Só me falta o potro mouro Que é pra sentar meus arreios // O gemido da carreta se ouve longe na terra Ela leva o sentimento das coisas do meu rincão No caminho da carreta que passa no pé da serra Vai transportando lamentos saudades no coração Saudades no coração Passa no capão de mato carrega com nó de pinho Que vai aquecer o ranchinho queimando no fogo de chão Que vai aquecer o ranchinho queimando no fogo de chão (vai carreta rasga o chão Leva a saudade do meu rincão) Paredão figueira junta das minhas confianças Carrega no cerne e na canga charla poesia e canção De porteira em porteira vai deixando como herança Novos caminho do pampa e mais pura tradição E a mais pura tradição Passa na roça abençoada pra colher a plantação O trato da criação e a bóia pra gurizada O trato da criação e a bóia pra gurizada // Não me perguntes onde fica o Alegrete Segue o rumo do seu próprio coração Cruzarás pela estrada algum ginete E ouvirás toque de gaita e violão Pra quem chega de Rosário ao fim da tarde Ou quem vem de Uruguaiana de manhã Tem o sol como uma brasa que ainda arde Mergulhado no rio Ibirapuitã Ouve o canto gauchesco e brasileiro Desta terra que eu amei desde guri Flor de tuna, camoatim de mel campeiro Pedra moura das quebradas do Inhanduy E na hora derradeira que eu mereça Ver o sol alegretense entardecer Como os potros vou virar minha cabeça Para os pagos no momento de morrer E nos olhos vou levar o encantamento Desta terra que eu amei com devoção Cada verso que eu componho é um pagamento De uma dívida de amor e gratidão