Eu destinei um passeiodomingo muito cedinhopeguei o meu violãoe fui pro mato sozinhodescobri uma figueiracom os galhos cheios de ninhose passei a manhã inteiraem baixo dessa figueira apreciando os passarinhoscomo eu tava achando lindoo viver dos passarinhosse via perfeitamentevir com a fruta no biquinhose via quando eles davam no bico do filhotinhoe eu ali estava entertidocom o viver tão divertido da vida desses bichinhosdepois veio o negro velho e também trazia um negrinhoe este tinha uma gaiola e dentro dela um bichinhoperguntei que bicho é estediz ele esse é um canarinhocom este bicho que está aquinas florestas por aí eu caço qualquer passarinhocantava que redobravaaquele pobre bichinhoparece até que dizia: É triste eu viver sozinho... só porque eu fui procurar comida pros filhotinhos... e fui tirar desse alçapão... hoje eu estou nessa prisão e nunca mais fui no meu ninhoaí eu fui recordando o que já me aconteceua muitos anos atrás que a polícia me prendeuo juíz me condeno e depois de mim se esqueceue eu pelo rádio escutava quando os colegas cantava e aquilo me comoveuentão eu fui perguntando quanto quer pelo bichinhorespondeu ele eu não vendoeu cacei pra o meu filhinhoporém saiu uma voz da boca do gurizinhoe a gaiola custo 10 quem me der 20 mil réis pode levar o passarinhocomprei com gaiola e tudo para evitar discusãoe fui abrindo a portinha e abrindo meu coraçãoe o bichinho foi saindoe eu peguei meu violãoe num versinho eu fui dizendoo que tu estava sofrendo eu já sofri na prisãoquem vai caçar de gaiolapra ver os bichos na gradedeveria ser punidos pelas mesma autoridadeporque o coração dos bichostambém conserva amizadeo lei tu faça o que pudermas os bichos também quer ter a mesma liberdade