Música e letra

Amansador das Estradas

Por Luiz Marenco, do álbum Sul.

2016
Versão completa
Letra

Amansador das Estradas

Destapou lá na coxilha Volteando as cova' de touro Vinham dobrando flechilha Quatro rosilho' e três mouro' Duas égua' douradilha' Vêm se assustando da sombra E um baio da anca redonda Pintando o suor nas virilha' São baguais destas estâncias Entregues pro Coraldino Que conhece a circunstância De balda, xucro e ladino Amansador das estradas O último domador A vida num maneador Num par de rédeas, mais nada Encerrou a cavalhada Chiflando ao trote estradeiro D'um ruano marca borrada Recém agarrando o freio Desdobrando o maneador Travesseiro dos arreio' Perguntou pro Artidor Pelos bagual' de janeiro "Pra bem de achar os atalho' Foi demarcando a fronteira Com a milhã da basteira Furada a suor de cavalo" Logo justou com o patrão Pegar um zaino cabano Duas lobuna' e um lazão Serviço pra quase um ano Pra pagar depois do enfreno Um salário por bagual Desses escrito' em pequeno Nas livreta' dos mensual' De manhã, puxou de baixo De tarde, galopeou os potro' Sem nunca frouxar o braço Um bagual depois do outro Duas semanas de lida Com a doma bem adiantada Botou os redomão' na estrada Pra amansar à moda antiga Na estância, não voltou mais Um dia trouxeram os pingo' Cavalos de apartar touro Depois, passear num domingo Uns dizem: -Trocou de ponta Outros, que foi manotaço Pra mim, que sem se dar conta O pala apagou seu rastro Destapou lá na coxilha Volteando as cova' de touro