Música e letra

Alma de Chamarrita

Por Luiz Marenco, do álbum Sul.

2016
Versão completa
Letra

Alma de Chamarrita

Venho ferido de um pontaço de chamarra Quando me agarra, vai direto ao coração Não caio ao chão no aço branco das guitarras Que eu sou benzido à canto e brasa de galpão Eu escutei a liturgia da verdade Bem quando a prima reza o terço co'a bordona Um verso antigo, uma chamarra de cordeona Nas mãos de terra do velho Armando Trindade Um verso antigo, uma chamarra de cordeona Nas mãos de terra do velho Armando Trindade A mão do laço, mão do arreio e do buçal Couro com couro sovado à golpe e tirão Só mesmo a terra pra abençoar tuas mãos Fazer tocar o cantochão fundamental Som do teu canto misturado ao som da gaita Cruzavam a taipa do açude grande da frente Faziam eco na floresta da tapera E se aquietavam no fundo d'alma da gente Faziam eco na floresta da tapera E se aquietavam no fundo d'alma da gente Que escola rude e barbaresca tu cursavas Que te levou a emparceirar com essa cordeona Gaita que afina pelo tom das mamangavas Vento cantando pelos buraco' das tramas Quem te assobiou, chamarrita tão antiga Quando voltavas de uma lida ou de um bolicho? Quem atirou nas tuas mãos este feitiço Que te pegou para durar por toda a vida? Quem atirou nas tuas mãos este feitiço Que te pegou para durar por toda a vida? Hoje, eu de rancho escorado na cidade Miles de poetas e cantores por aqui Mas o que escuto é a gaita bugra do Trindade Marcando o tempo no interior do Cacequi Mas o que escuto é a gaita bugra do Trindade Marcando o tempo no interior do Cacequi