Música e letra

Gateado Pêlo de Sol

Por Luiz Marenco, do álbum Pra o Meu Consumo.

2017
Versão completa
Letra

Gateado Pêlo de Sol

O gateado apalpou a estrada bufou e olhou para o chão Sentiu a pedra graúda quebrar o casco da mão O andante bateu na estância pediu potreiro e galpão No cinamomo da frente frouxou cinchas e lombilhos Baixo falava pra dois segredos dos andarilhos Suado o pêlo gateado da lua copiava o brilho Nos dias que se vieram encilhou pingos de lida Tosou chibo apartou boi deixou inté cerca estendida Fez da estância um pastoreio pra rondar a própria vida Fim de dia lhe esperava cabeça sobre o alambrado Acariciava o pescoço curava o casco quebrado E se a noite era de andar miravam o campo prateado Tarde campeava o galpão com aquele meio segredo Vinha na soga dos olhos uma ânsia pros pelegos Buscar na estrada dos sonhos calma pros desassossegos Mal se aprumava a manhã e como campeando o rumo Bombeava o sol destapado que vem do campo do fundo Via no sol seu gateado cruzando em volta do mundo Se hoje paro ensimesmado vendo cruzar sois e luas E neles a imagem crua do homem e seu gateado Travada espora de puas pra me levar do seu lado Sempre revejo o andante nestas visagens de infância Me acompanha a ressonância de um coração estradeiro Me abriu um caminho inteiro dentro das minhas distâncias O casco sentou no chão numa minguante invernera Bateu a terra com a mão caiu geada a benzê-la Se acendeu contra o oitão brilho de argolas e estrelas O gateado apalpou a estrada bufou e olhou para o chão