Música e letra

Um Bagual Corcoveador / Me Vou Pra Vanera / De Rodeio Em Rodeio

Por João Luiz Corrêa, do álbum 10 Anos de Sucesso (cd duplo).

2010
Versão completa
Letra

Um Bagual Corcoveador / Me Vou Pra Vanera / De Rodeio Em Rodeio

A tropa vinha estendida Pastando no corredor Eu empurrava culatra E também fazia fiador Num bagual gordo e delgado Arisco e corcoveador Que se assustava da estaca E da sombra do maneador É brabo a vida de um taura Que só trabalha de peão Nisso uma lebre dispara Debaixo de um macegão Meu pingo só deu um coice Escondendo a cara nas mãos Saiu sacudindo o toso E cravou o focinho no chão Tentei levantar no freio Mas era tarde demais Eu vi uma poeira fina Formando nuvens para trás Berrando se foi a cerca E cruzou pro lado de lá Parecia uma tormenta Cruzando em maçambará Se enganchava nas esporas Sobre a volta do pescoço Cortando couro com pêlo E tirando lascas de osso Naquele inferno danado Bombiei pro meu cebolão Regulava quatro e pico Numa tarde de verão Senti a força do vento Me arrancando dos arreios E aquele bicho parecia Que ia se rasgar no meio Deixei manso e de confiança Montaria de patrão Pois honro o nome que carrego Me orgulho de ser peão / Ao som de um farrancho, chego de à cavalo Apeio no embalo, xúcro de um gaiteiro Campeio meus troco, rodeio a guaiáca E o cabo da faca, reluz no candiêro Já entro pachola e vou pagando a ficha Uma china me espicha um olhar de soveú Vou direito a copa, cutuco a algibeira E tapeio a poeira, na aba do chapéu = refrÃo = Falquejo uma prosa, capricho no trote Já armo meu bote, prá uma fandangueira O gaiteiro bueno, de canha se enxarca E eu feito um monarca, me vou pra vaneira Sou de pouca prosa, me agrada entrevero E até bochincheiros, conhecem meu jeito Tirando retosso, cordeôna, guitarra E o gosto por farra, não tenho defeito Prá o meio do baile, arrasto as chilenas A noite é pequena bombeando as mulher Se acaso puder a mais linda eu penero E aparto a que eu quero pra arrastar o pé No assoalho vermelho, do chão colorado Eu danço embalado, nos braços da china Esqueço da lida, pendênga e peleia Quando ela arrodeia, me alisando a crina Já na outra marca, aquece o assunto Comigo vai junto, na prosa que encilho É certo o namoro, no fim da noitada É carga dobrada, no pingo tordilho. / Quando um matungo veiaco Arrasta o toso comigo Ali no mais eu me obrigo Campear a sorte na espora Cavalo é sempre um perigo Na gineteada ou na doma Deixo que a espora lhe coma Que assim minha sorte melhora Peguei gosto pela vida De andar no mundo a cavalo E hoje os que eu embuçalo Também é por precisão Pelas estâncias domando Ou nos rodeios de xucros A montaria é meu lucro E os potros minha devoção Depois que eu saltar no lombo Só quandi que quero eu apeio Minha fama anda a cavalo E vai de rodeio em rodeio As botas garrão de potro E um sombrerito tapeado Um tirador retalhado De coices e manotaços Vão desenhando na estampa As cicatrizes da lida E o meu seguro de vida É um par de esporas de aço