Música e letra

Imenso Potreiro

Por Luiz Carlos Borges, do álbum Imenso Potreiro.

1974
Versão completa
Letra

Imenso Potreiro

Autor Ten.Valentin Depois que nosso senhor Balizou o mundo inteiro Escolheu para potreiro A invernadinha do fundo E nesta região do mundo Cercada rios e oceanos Soprada pelo minuano Em forma de coração Balizou com precisão O Rio Grande bem pampeano Ali soltou o seu pingo E atirou o pala pra traz Escolheu um capataz Que tivesse qualidade E entregou pra eternidade Esse rincão bem cercado Pago por ele abençoado Pra ninguém mais mete a mão Pois este vasto rincão É o Rio Grande nosso estado Nosso Senhor foi-se embora Pra estância grande do céu Tapeou na nuca o chapéu E deu uma olhada para baixo Sinchando no barbicacho O aba larga campeiro E com um vento brasileiro E um sol de relancina Deu uma benção divina Ao seu imenso porteiro E o capataz dessa estância Balizou também num upa Deixando ali na agrupa Um pedaço da fronteira E com a parte matreira Da crina do seu bagual E tropeando bem ou mal Depois de balizar tudo Refugou o gado miúdo E deixou só o que era especial Escolheu um lugar pra o rancho Num local de boa aguada Não é potreiro é invernada Não é invernada é o Rio Grande E por mais que você ande Dia e noite sem descanso Lance um olhar como eu lanço Se vê matos de alto a baixo Chinas bonitas índios machos Campo fino e gado manso Assim foi feito o Rio Grande Este potreiro abençoado Cercado por um costado Pelo oceano bravio Donde só de navio Pra chegar neste parapeito De outra forma não tem jeito De avião só vindo por cima Mas pra descer em nossa campina Tem que chegar com respeito Pelos fundos tem um Rio Que dá mais voltas que laço Descendo dando laçasso Por ali não passa nada É sempre cheia a canhada E a nado não se atravessa Nem benzimento ou promessa Não se invade pelos fundos É uma divisa de mundo E por ali não tem conversa Mas entre rios e aceanos Existe uma linha seca Mas ésta é fechada de cerca E por ali não tem perigo Além do mais meus amigos Os vizinhos são de estima Uruguai e Argentina Gente grande amizade E de nosso lado as irmandade Os de Santa Catarina De mais a mais o Rio Grande Não precisava divisa Já tinha aquela baliza Que nosso senhor cravou Ele mesmo balizou E benzeu com água pura Lavrou a sua escritura Nos entregou o Rio Grande Nos deixou fervendo o sangue Desde o berço a sepultura Sangue crioulo do Pago Vindo da raça nativa Misturado com birivas Imigrantes índios cru É preto é branco é xiru Mas tudo é cria especial Indiada chucra e bagual Que com honra as devoções Conservaram as tradições Deste Rio Grande imortal.