Música e letra

Beiço de Sola

Por Mano Lima, do álbum Com Casca e Tudo.

1995
Versão completa
Letra

Beiço de Sola

Uma égua se prendeu comigo à veiaquiar Arranquei uma teta à laço, o patrão mandou surrar Isso aconteceu na estância que eu me ajustei pra domar. Era uma cria de mouro, veiaco barbaridade De uma cambanha famosa que existia em soledade A fama dessa eguada andava inté pela cidade. Eu disse pra minha mãe, me acorde de madrugada Quero estar antes que o dia nequela estância falada Quero ver até onde vai a fama dessa eguada. Antes de sair de casa minha mãe recomendou Meu filho não paga vale, que teu pai nunca pagou Faz um mês que está na cama, duma sova que tomou. Tava quase destapando, antes do dia surgir Na estância eu ia chegando e o patrão de longe vi Me perguntou donde vem, pra onde te atira guri. Eu venho vindo de longe, sou cria dos sete povos Eu tenho sangue de vasco, por isso que sou teimoso Ando à procura de china e de égua que arraste o toso. "no outro dia bem cedo, era alta a madrugada Se dava volta comigo uma rosilha aporriada Afiei bem os meus talher e roguei que deus me ajudasse Abri bem os meus fervido e deixei que ela se cortasse Saiu mandado cangalha na frente da rica estância Mas saiu batendo tão forte que levantava as quatro pata E eu ia batendo com a mão e perguntado pro patrão, donde você quer que bata" Um dia deixei a estância, senti saudade do rancho O que era chucro eu deixei manso, conforme quis o patrão E me larguei redomão, levando junto a cordeona, pra me livrar das gavionas Que querem domar este peão.