Música e letra

Acampamento Farrapo

Por Jayme Caetano Braun, do álbum Êxitos 2.

2000
Versão completa
Letra

Acampamento Farrapo

Bandeira de 35, divino pendão de guerra Que guarda gritos de terra entre as dobras andarilhas Pano de altar das coxilhas, desfraldado por condores Prece rezada em 3 cores em sobrehumanos rituais. O verde, os campos gerais do rio grande despenteado, O matambre amarelado numa alvorada de outubro E o campo? Vermelho rubro, num sol de tarde sangrado. Troféu mil vezes sagrado, pátria encarnada em um pano, Pedaço de chão pampeano que a história guasca eterniza. Foste a primeira divisa do brasil republicano. Bandeira tu ressuscitas, na glória de cada fiapo O acampamento farrapo embaçado de fumaça. É o formigueiro da raça que está reunido em concílio É o bugre que ? De lombilho,vem levantando aos bocejos São os mestiços andejos, mal encarados e sérios São castelhanos gaudérios vaqueano de montoneras Que bandearam as fronteiras por força de algum instinto É o negro chucro, retinto, dos grilhões recém liberto É o piá voluntário esperto, guri ainda ? Rosto liso É o chiru velho preciso que pensa mais do que fala É o estancieiro de pala que chimarreia sisudo É o mulato façanhudo de adaga grande à cintura É a impressionante figura do charrua de melenas É o soldado de chilenas e uniforme desbotado É o lenço bem colorado num pescoço de oriental É a tricolor oficial num tope republicano É o carreteiro vaqueano que segue o rastro das tropas. São abas largas e copas, vinchas, quepes e chapéus Laços apêros, sovéus, num mar de pilchas gaúchas Boleadeiras e garruchas, ponchos, palas multicores Chiripás e tiradores, chocolateiras, cambonas São guitarras e cordeonas chamuscads nos fandangos Espadas, adagas, mangos e as lanças que os peleadores Manejavam com primores nas arrancadas sem conta Todas trazendo na ponta as flameantes tricolores! Que culto estranho? Que pampeano rito Vivem tais vultos que divergem tanto É a liberdade que funfiu num grito Todas as vozes do rio grande santo!