Música e letra

Relato do Índio Bochincheiro

Por Cesar Oliveira e Rogério Melo, do álbum Concerto Campeiro.

2004
Versão completa
Letra

Relato do Índio Bochincheiro

A gaita empeçava um choro Num floreio debochado O baile tava enfezado China, cachaça e namoro Quando se ouviu um estouro Bem no meio do salão Apagaram o lampião E um teatino gritou: jogo! E saltou cuspindo fogo Já manoteando o facão Ninguém sabia quem era Nem tão pouco de onde veio Boi-ta-tá de algum rodeio Alma de alguma tapera Ou talvez quem sabe um cuéra Com fama de cabortero Quem sem rumo e paredeiro Se perdeu na volta feia Pois a vida é uma peleia Que nos torna bochincheiro Foi marcada por desgraça Aquela maldita noite Ninguem esquece o açoite Daquela rusga machaça Templada pela fumaça E pelo estouro dos ferros Contra-punteando com os berros Dos que apanhavam de graça A vida muy poco vale Les digo nesse relato Mas quem tem corpo de gato Mostra que tem credenciales Se apotra entre os baguales Que só dependem da sorte Quando a incerteza da morte Se acolhera a outros males Foi ai que o índio touro Mostrou ter parte com o diabo Agarradito no cabo De um facão marca besouro Quando largava de estouro O coração dava um pulo E as vez largava de culo Cortando por desaforo O choro do chinaredo E o alvoroço dos machos Evocaram anseios guachos E perpetuaram segredos Pois entre a raiva e o medo Sempre hay algo que atormenta Pois muita gente sustenta O peso daquela carga Lembrando da noite amarga Inté a alma se lamenta O sangue frio e a coragem E os olhos incandescentes Demonstravam que o vivente Era mais do que um selvagem Que só tinha por bagagem A própria estampa de guapo Mescla de bugre e farrapo Qua acha a vida uma bobagem E assim se foi como veio Quando saltou porta afora Quem a tantos ignora Faz parte de um mundo alheio Então pensando eu creio Porque não seria o cuéra Alma de alguma tapera Boi-ta-tá de algum rodeio