Música e letra

Brotei do Chão das Boconas

Por Cesar Oliveira e Rogério Melo, do álbum Na Boca da Noite.

2000
Versão completa
Letra

Brotei do Chão das Boconas

Sou peão de estância encruado Nasci num catre de barro Por isso aqui me agarro Cantando a um pago sagrado Fui benzido e batizando Na fumaça do retoço Que me fez desse alvoroço Gaucho de corpo e alma (2x) Templado na xucra calma Sou mescla de carne e osso A ânsia que me atormenta Me provoca volta e meia Sinto que em mim corcoveia Uma gana pacholenta A minha estampa sustenta Alem de um grito de guerra O sarandeio da terra Que o guasca sente nas ventas Brotei do chão das boconas Cresci sobre as sesmarias Desdobrando a geografia Meus apegos vieram à tona O compasso das choronas E o entrevero de guampa Fizeram da nossa pampa A terra mais macharrona Nas boconas virei gente Por que nelas fui criado Ouvindo o berro do gado E o murmúrio das enchentes Bebi água das vertentes Na copa do meu chapéu Ouvi rumores no céu Era piazito e me lembro (2x) Dos temporais de setembro Santa rosa e são miguel E eu por quebra me agrando Abraçado na guitarra Pra cantas potros e garras E um veiaco se bolcando Um rodeio se empurrando Na estronca da porteira E a cachorrada ovelheira Num vai e vem se queixado E aqui me entrego a esta ânsia Que tenho de andar alçado Com meu sombreiro tapeado Para pentear na distancia Por que a inocente ganância Que junto ao índio se agrupa (2x) E o que saca na garupa Da alma de um peão de estância