Música e letra

Confraria de Fronteira

Por Pedro Ortaça, do álbum Galo Missioneiro.

2000
Versão completa
Letra

Confraria de Fronteira

Missal de poncho e espuelas, rumor de laço nos ares E os orientales cantares con sonidos brasileiros Confraria dos fronteiros numa lida que os irmana Con tropilhas castelhanas outras do lado de cá É a gente do aceguá templa crioua e buerana. No hay embrago em fronteira pra quem cruza de a cavalo Não se pregunta se és malo num tampouco pra onde vai Entre o brasil e o uruguai persiste uma só consciencia Na harmoniosa convicencia de esporas pedindo cnahca Na orila de uma sanga bebendo patria e querencia Se enredam melena e crina da potrada e do ginete Nesse croulo cacoete de manter a raça viva Pela origem primitiva de antes das caravelas A eternizar aquarelas sobre a tela do horizonte Trazendo vincha en la fronte celeste ou verde amarela. Se confundem linguas e pátrias dos dois lados da fronteira É a nossa indiada campeira na mesma linguagem franca Gente rude de alma branca sovando os mesmos costues É a fronteira sem tapumes, sem convenções, nme dialetos Donde os abuelos e netos vislubram os mesmos lumes. Tem cá no minuano, hay gente alla de noblia Almas llenas de alegria que contagia a nosostros Levando suor d epotros e a crina por entre os dedos Contrabandeando segredo para recurerdos guardados Dos golpes dos aporreados e do olhar do chinaredo. Não há fronteira no ser e ne os marcos divvidem Que as diferenaças se olvidem na mesma casua comum Sem preconceito nenhum no igualdade do fronteiro Entre o milico e o quileiro, entre o campeiro e o patrão Persiste esta comunhão de ser amigos e parceiro. Nos fundimos numa só patria de aguchismo e querencia Mesclados da mesma essencia no idioma das milongas No alambrado que se alonga pelos fundões das estancias Onde se guardam frangancias do sincretismo charrua Partindo hostias de lua pra alimentar nossas ancias.