Música e letra

Os da Última Tropa

Por Luiz Marenco, do álbum Identidade.

2008
Versão completa
Letra

Os da Última Tropa

A poeira dos cascos, Baixava de manso, Ganhando a canhada, E o eco morrente da tropa pesada, Termava no léu, Como envolto em um véu, Um par de aspas claras, A deus levantava, Um tranqueiro ponteava Mugindo tristonho, Olhando pra o céu. O capataz pensa em seis dias de marcha, E mais cinco rondas, Rebombeia o horizonte, Pra ler pela barra Que a chuva não vem. Com os anos que tem, Encordoa a tropa Que entende e se alonga, Pra rede do areal o passo do rio, Até embarcar no trem. Se finava o maio, Que já fora mês de tão grandes tropas, Campeiros regressam em capas e ponchos, Depois de dez dias. Como estátuas de cerne, Quebrados de abas, E batidos de copas. Descortejam a volta, Coruja na trama, A estrada vazia. Se foram sumindo os da última tropa, Na volta da estrada. E um ventito sureño. Assoviava cantigas, Chamando a invernia. Vai com mãos macias, Brincando com areia De apagar pegadas Das tropas mais nada, Que marcas de fogo pelas sesmarias. E vira primavera e o pasto rebrota Esquecido do fogo, Já pro ano nas safras, Não cruzaram xucros pelo corredor, Sobram os homens do basto, E do meio um capão que baixou dos pelegos. Culatriar seus recuerdos, Com as cercas da estrada, Gritando em fiador.