Música e letra

Milongão Pra Assobiar Desencilhando

Por Luiz Marenco, do álbum Luiz Marenco ao Vivo (cd duplo).

2002
Versão completa
Letra

Milongão Pra Assobiar Desencilhando

Silhueta de um fim de tarde, prenunciando a mesma sombra Do tarumã bem copado contra o lado do galpão Que larga fumaça branca no mais alto se desenha De certo é cambona e lenha na porfia do fogão A gateada apura passo no acôo da cuscada Que faz festa com o retorno dos campeiros na mangueira Silêncio se vai aos poucos pelas esporas nas pedras E os tinidos da barbela nos escarceios da oveira Aos poucos, ouvem-se coplas num assobio compassado Que entram galpão à dentro, depois voltam mais sonoras Se vão tirando a carona, o xergão e entram mais calmas Parecem que campo e alma se mesclam bem nessa hora Água nos lombos suados, mais águas pras cambonas E o galpão se para quieto pra escutar um campeiro Depois do dia de lida, de invernada e rodeio Sobra tempo pra um floreio e um assobio milongueiro Um mate recém cevado, silencia o galpão grande Reverenciando quietudes nas sombras que aquerenciei E quem refaz o seu dia de bem com a vida no campo Um pelego sobre um banco é mais que um trono de rei Ficou um resto de pasto agarradito no freio Esporas mangos e laços e um silêncio esperando Alguém de alma lavada á debruçar-se no violão E tocar um milongão pra assobiar desencilhando