Música e letra

Aguaceiro

Por Zezinho e Floreio, do álbum Quando Canta Um Galponeiro.

2007
Versão completa
Letra

Aguaceiro

(Paulo Ricardo Costa/Nilton Ferreira) A chuva guasqueada castigou o rancho a noite inteira Pingando goteira das telhas quebradas que o tempo gastou O sono perdido tomou outro rumo pela madrugada Na erva lavada, amarga de sonhos que se bandeou Nas frestas respingam lágrimas de chuva em aguaceiro E, lá no terreiro, um galo encharcado traz vida pras casas A manhã se espreguiça, cinzenta e vazia, clareando o oitão E o angico chorão borbulha sua ira findando em brasas Neste aguaceiro que inunda os campos pelas invernias Minh'alma vazia, alheia ao silêncio que se aquerenciou Reponta ilusões da ânsia incontida que já fez morada Campeando na estrada um olhar perdido que se desgarrou A mangueira de pedra, inerte no tempo, num sono profundo Demonstra que o mundo se acaranchou em sua porteira As vidas passadas guapeiam lembrança pelo rancherio De quem já partiu, deixando saudade para a vida inteira Um poncho se abre com asas de noite goteando no chão E a tal solidão acarancha tristeza no peito da gente O olhar se perde no imenso vazio que a manhã reponta E nem se dá conta do quadro bonito pintado pra gente Neste aguaceiro que inunda os campos pelas invernias...