Alegrete · Rio Grande do Sul · Brasil
Letra de música

Descendente

Lisandro Amaral · Canto Ancestral

Capa de Canto Ancestral
Lisandro Amaral

Descendente

Canto Ancestral · 2011
Será índio o filho novo Que recebi destes tempos? Terá o sopro dos ventos E cantará ao seu povo? Pensando assim, vou de novo Á intenção de indagá-lo. Agora hei de cantá-lo Na eternidade de irmão, Pois traz o campo nas mãos E o sangue dos meus cavalos... Indiozito curandeiro Dos meus espinhos que sangram... Das dores que arremangam Bombachas de peão tropeiro. Há um vulto em mim - noiteiro, Que reza em verso e que canta E, quando a luz se levanta Aos olhos baios do dia, Eu agradeço a poesia Que derramei da garganta; Eu agradeço a poesia, Que reza em verso e que canta... João antonio eu te batizo, Verso perfeito de pai, Nome composto que atrai, Porque lembrar é preciso. Se ao versejar me escravizo Diante á pena contida, Escorro - joão - dolorida A hora em que está teu mundo; E ás vezes respiro fundo, Te oferecendo esta vida... O mundo é mundo e será Até quando deus quiser! Quando se pensa o que quer, Um pai ao filho dirá. Espinha e caraguatá, Dá sombra o umbu campeiro; O amor é mais que o dinheiro, O espírito - sim - é eterno, E só é frio o inverno Pra que não crê - curandeiro.
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