Alegrete · Rio Grande do Sul · Brasil
Letra de música

Estiagem

Júlio Saldanha · Alma de Rio

Capa de Alma de Rio
Júlio Saldanha

Estiagem

Alma de Rio
Olhando a pampa estendida Até onde a vista alcança Torreira triste descansa Sem pressa de ir embora Miséria gastando esporas No pastiçal já gateado Remoendo a fome meu gado Aponta os ossos pra fora. A sanga perdeu as forças Que nem na ladeira anda E o Patrão Velho não manda O Vento Norte que falo Lamber o pasto já ralo Que só a chuva renova Vai a Cheia e vem a Nova Sem nenhum “rabo de galo”. O açude rachou a taipa Numa soleira bagual No fundo um lodaçal Minguando a cada dia - Quem sabe venha de cria! A negritude do poente Que alumia a alma da gente Quando o tempo velho estia. Mirando a quincha do pampa No rumo do meu Patrão Na mudez de uma oração Que nunca aprendi a fazer... Até me custa entender Esse flagelo do gado Se a mim sobram pecados A tropa não deve ter.
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