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Letra de música

Paraíso Perdido

Rock de Galpão · Volume II - Ao Vivo nas Missões

Capa de Volume II - Ao Vivo nas Missões
Rock de Galpão

Paraíso Perdido

Volume II - Ao Vivo nas Missões · 2014
Quem já leu o livro santo Conheceu o que é preciso, Entendeu o paraíso Que era um lugaraço e tanto, Na realidade o encanto Dos tempos de antigamente, Ali não havia doente, Todo mundo era sadio, Céu e campo - mato e rio E primavera somente! Que beleza de lugar, Diz a sagrada escritura, A lua de graça - água pura, Sem beniagá a incomodar, Sem imposto pra pagar, Sem as filas - sem bandido, Sem congresso - sem partido, Ontem - hoje e amanhã, No meio disso - a maçã Que era o fruto proibido! É o bicho mais burro o "home", Pois tudo corria bem, Ninguém roubava ninguém, Ninguém trocava de nome, Ninguém morria de fome, Nem havia o diz que disse, Foi preciso que existisse Um asno nessa canaã: -Adão comeu a maçã, Embora Deus proibisse! E a gente logo imaginava, Pois tudo foi de improviso, A sombra do paraíso Coberto pela neblina, A Eva - um florão de china, O pai Adão - cabeludo, Índio grosso - sem estudo, Desajeitado - sem roupa, Viu a maçã "dando" sopa E comeu - com casca e tudo! E formou-se a confusão, Depois desse desacato, A Eva se foi ao mato E logo atrás o Adão, Resultado - a punição Que tanto transtorno encerra, Veio a doença - veio a guerra, Veio a miséria - a ganância, E nasceu a discordância Nos quatro cantos da terra! E o Senhor disse ao Adão, Já roído pelo desgosto: Tu vais - com o suor do teu rosto, Comer - de hoje em diante - o pão, Sentir frio - dormir no chão, A vida será uma luta, Daí toda a lida bruta, Decretada a cada um: -Vivemos nesse zum-zum, Só por causa de uma fruta! E foi criado o inferno, O verão - a primavera O medo - a mentira - a fera, A geada, o frio do inverno, Além disso o padre eterno Deixou que o homem sofresse, Que amasse - que envelhecesse E vivemos do serviço, E - depois de tudo isso, Só ia ao céu quem merecesse. E seguiu a mesma farra, Numa verdadeira afronta E ninguém pagava a conta, Cantando que nem cigarra, Com cordeona - com guitarra, A cousa seguiu fervendo, Deus terminou compreendendo, Ante a falta de respeito Que a seguir daquele jeito, O inferno acabava enchendo! E mandou Nosso Senhor, O Menino de Belém, O que em cada Natal vem, Trazer carinho e amor, Mas o homem - pecador, Ao qual o dólar seduz, Não quis compreender a luz, Da fé e da fraternidade, Jesus falava em verdade E o pregaram numa cruz! Conta a Sagrada Escritura E a gente acredita nela, Que o Autor da mensagem bela, De carinho e de ternura, O que trazia alma pura, Em todas as dimensões, O Autor de mil sermões, De montanha e descampado, Acabou crucificado No meio de dois ladrões! E o homem que fez então, Depois da morte sublime, Ao invés de expiar o crime, Num pedido de perdão, Ou tentar a salvação, Do inferno e da fogueira, Chorando à sua maneira, O Paraíso Perdido, Muito embora arrependido, Seguiu rondando a macieira...
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