Alegrete · Rio Grande do Sul · Brasil
Letra de música

Funeral de Coxilha

Luiz Marenco · Todo o Meu Canto

Capa de Todo o Meu Canto
Luiz Marenco

Funeral de Coxilha

Todo o Meu Canto · 2004
Repousa o corpo tranqüilo No funeral da coxilha Terra bordada em flechilha É o catre de quem retorna A tarde em comprida forma Das guanxumas e alecrins Não há tristezas nem fins Na morte que o campo adorna Não há tristeza no pio Da perdiz siscando a vida Não há fim quando a partida Vai se tornando chegada Quem foi de campo e de estrada Não quer melhor companhia Que o largo das sesmarias Ao luxo de uma invernada Morreu num final de tarde Entre pasto rebrotado Quando uma ponta de gado Buscava a paz de algum capão A noite acende um clarão Prendendo velas miúdas Em dois olhos de coruja No castiçal de um moirão E o campo todo recebe Corpo e alma em funeral Se tornará cinza e sal Fundida com terra e água E o choro da madrugada Que entre seus pêlos entranha Da brilho a teia da aranha Na macega, deu pousada Por isso que minha gente Jamais enterra um cavalo O campo sabe cuidá-lo Quando pra nós tudo encerra A natureza não erra Ressucita na coxilha Nas flores da maçanilha Graça e força sobre a terra
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